Botucatu tem queda de 40% em mortes por Covid e 59% em internações após vacinação em massa
Quase dois meses após a vacinação em massa na cidade, média diária de novos casos caiu dos 141 registrados entre os dias 6 e 12 de junho para 19 entre os dias 4 e 10 de julho, uma redução de 86,5%. A queda já teve reflexos nas internações e nos óbitos pela doença.
A queda no número de novos casos de Covid-19 registra em Botucatu (SP) na última semana, que chegou a 86,5% quase dois meses após as ações de vacinação em massa, também teve reflexos nas taxas de internação e no número de mortes. Houve uma queda de 59% nas internações e 40% no número de mortes.
Botucatu faz parte da pesquisa sobre a efetividade da vacina Oxford/AstraZeneca. Mais de 82% da população recebeu a primeira dose de imunizante contra a Covid-19 na cidade.
Depois de um pico de 141 novos casos registrados por dia, entre os dias 6 e 12 de junho, a cidade passou a registrar quedas na média diária de novos casos, chegando a 19 casos por dia na semana de 4 a 10 de julho.
Com isso, as internações e os casos de morte também tiveram redução. Segundo dados da Secretaria de Saúde Municipal, no dia 2 de junho foi registrado um pico com 97 moradores internados e agora, até a semana do dia 9 de julho, há registros de apenas 39 pessoas internadas.
Quanto às mortes, entre os dias 6 e 12 de junho, a média diária de óbitos era 10 óbitos por dia. Na semana seguinte passou para 8 mortes, chegando a 4 registros entre os dias 20 e 26 de junho, uma queda de 60% em relação a semana de pico. Porém, nas últimas duas semanas, a média diária foi de 6 mortes.
A redução nos casos de Covid-19 já era prevista para segunda quinzena de junho pelos pesquisadores. De acordo com o secretário de Saúde de Botucatu, André Spadaro, a queda de mortes também já era uma expectativa para final de junho e início de julho.
"A queda de mortes já era esperada em uma fase mais avançada, porque você primeiro tem uma redução da transmissão que, por consequência, leva a redução dos casos de internação e não só uma redução numérica das internações, mas um percentual menor de pessoas que precisam ir para UTI, que precisam de intubação. Então mesmo aquelas que internam, em sua grande maioria, acabam tendo quadros mais leves que se resolvem na enfermaria e isso em um terceiro momento acaba colaborando para reduzir a mortalidade, que nós já estamos começando a perceber.
2% da população com a 1ª dose
Pesquisadores que acompanham o estudo de efetividade da vacina veem essa queda pela quarta semana consecutiva já como reflexo da primeira dose da Oxford/AstraZeneca, mas o acompanhamento dos números pode reforçar essa relação.
"Agora é importante que os pesquisadores responsáveis pelo estudo façam essa comparação dessa queda da transmissão, internação e óbitos com o que está ocorrendo nos municípios vizinhos e no estado de SP para que a gente possa entender o quanto significa a colaboração da vacinação em massa. Porque a vacinação também avança em todo o estado e isso tem feito os números caírem no estado todo mas, possivelmente a gente tem percebido, pelo estudo, que essa queda é mais acelerada em Botucatu em função da vacinação em massa", completa o secretário municipal de Saúde.
O uso de máscara e distanciamento devem continuar sendo respeitados. De acordo com a prefeitura, assim como na primeira etapa, as ações de vacinação com a segunda dose vão acontecer nos dias 8 e 14 de agosto.
Os moradores que receberam a primeira dose no dia 16 de maio devem completar a imunização no dia 8 de agosto, que será um domingo. Já as pessoas que receberam o imunizante no dia 22 de maio devem tomar a segunda dose dia 14 de agosto, sábado.
Botucatu está em primeiro lugar no número de doses aplicadas no estado de São Paulo, segundo dados do Vacinômetro. Dos cerca de 148 mil habitantes, 122.609 receberam a primeira dose, o que equivale a 82,3% da população geral. A população adulta, porém, está basicamente toda vacinada, de acordo com a prefeitura.
Estudo da AstraZeneca
A vacinação em massa em Botucatu faz parte do projeto de estudo da vacina produzida pelo laboratório AstraZeneca, Universidade de Oxford e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), elaborado pela parceria entre a prefeitura, Ministério da Saúde, Governo Federal, Unesp, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, e Fundação Gates.
Desde o dia 16 de maio, que foi chamado de dia D da vacinação em massa, quando mais de 66 mil pessoas foram vacinadas em uma estrutura igual a usada nas eleições, a cidade vem realizando ações para imunizar toda a população adulta, entre 18 e 60 anos, como parte do estudo, exceto as grávidas que só podem receber doses da Coronavac ou da Pfizer.
No dia 22 uma nova vacinação em massa foi realizada. Mais de 8 mil pessoas se cadastraram para receber o imunizante e pouco mais de 5 mil doses foram aplicadas. Também foram feitas vacinações para estudantes da Unesp e de moradores da zona rural.
No dia 11 de junho, terminou a última etapa para vacinação das pessoas que não foram imunizadas nessas ações. Uma triagem foi feita durante toda a semana, do dia 7 ao dia 11, de pessoas que se cadastraram no site da prefeitura e receberam as orientações via SMS para uma nova avaliação de documentos para poder receber a dose da vacina.
Todo o processo de cadastro e vacinação em Botucatu tem o acompanhamento e auditoria realizados pelas Forças de Segurança do Município (Guarda Civil Municipal, Polícia Civil e Polícia Militar), OAB Botucatu, Justiça Eleitoral, Ministério Público e Tribunal de Justiça de São Paulo.
Sequenciamento genético
Após receber a vacina, o morador de Botucatu deve assinar um termo para autorizar, em caso positivo de Covid-19 depois da aplicação, os procedimentos para fazer o sequenciamento genético do vírus.
- Entenda como será o sequenciamento genético das variantes do coronavírus
Essa análise do material genético de testes positivos é a principal ferramenta do estudo de efetividade. É com o sequenciamento genético que os cientistas vão descobrir se a vacina consegue reduzir tanto os casos graves da doença quanto a transmissão das variantes.
Para autorizar, é simples e seguro: basta assinar um documento. Esse tipo de termo é comum em pesquisas e foi aprovado pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), órgão que monitora e fiscaliza a aplicação de políticas públicas do SUS. O termo garante sigilo dos dados que só vão ser registrados pelos cientistas.
Fonte: G1

